Blá blá

Il nome della rosa

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Durante a baixa idade média mortes estranhas começam a acontecer num mosteiro beneditino na Itália, onde as vitimas aparecem com a língua e os dedos roxos. William de Baskerville (Sean Connery), um monge franciscano e ex-inquisitor, chega ao mosteiro para participar de um conclave, mas diante dos assassinatos desvia sua atenção e investiga o caso acompanhado por Adso von Melk (Christian Slater) seu discípulo; (tinha-se o costume de fazer com que o segundo filho de uma família nobre seguisse a carreira eclesiástica).

O mosteiro tinha grande fama por sua coleção de livros e a trama se volta basicamente para a biblioteca, uma vez que concentra fontes do saber que ameaçam a doutrina cristã. A biblioteca era um labirinto e aqueles que chegavam ao final eram mortos, uma característica da hegemonia católica nos campos da cultura e da educação. A aparência doentia dos monges e frades, a atmosfera sombria do mosteiro em adição ao pensamento corrente ligado ao sobrenatural levam os monges a acreditarem que as mortes se devem a intervenções demoníacas, e impedem toda e qualquer tentativa de esclarecimento racional.

William de Baskerville tende ao gosto pelos estudos e análises empíricas, o que faz dele um lógico de orientação aristotélica. Isso é percebido também em suas convicções religiosas que o colocam em situação difícil perante o Santo Ofício, mas não o impede de investigar os assassinatos. No filme, ele representa o Intelectual Renascentista, com uma postura Humanista e Racional.

Quando Baskerville chega à conclusão que todas as mortes estavam ligadas à leitura de uma obra rara e proibida, os administradores do local tendem em manter as versões místicas, em detrimento da verdade apontada, e assim mesmo depois de todas as evidências, o abade não permite que William entre na biblioteca oculta aos demais. É convocando Bernardo Gui (Fahrid Murray Abraham), o Grão-Inquisidor, que chega ao local – na tentativa de encobrir os fatos – pronto para torturar qualquer suspeito de heresia em nome do diabo. Entre os acusados está uma jovem que vende seus favores sexuais em troca de alimentos. A condição da mulher é de inferioridade, ligada ao pecado e responsável pelo aliciamento dos homens ao mal.

Durante o julgamento, na tentativa de inocentar os acusados, William contrapõe os argumentos do inquisidor e então é incluído no rol de suspeitos e passa a situação de acusado de heresia. Desenrola-se uma corrida contra o tempo para encontrar o livro proibido e livrar todos os acusados, William e seu discípulo conseguem então adentrar a biblioteca e encontram Monsenhor Jorge em posse da obra, trava-se o diálogo que esclarece a motivação para as mortes. Sendo a obra escrita por Aristóteles que aborda o riso como instrumento da verdade, e que teve suas páginas envenenadas por Jorge que odiava a comédia e via no riso uma possibilidade de dúvida sobre Deus.

Um grande incêndio provocado pelo assassino descoberto e a revolta dos habitantes da região em torno do mosteiro pela condenação da jovem à fogueira impedem a concretização dos planos do inquisidor de levar William ao tribunal de Roma para acusação. Desta forma William e seu discípulo, vão embora do mosteiro e seguem destinos diferentes no decorrer de suas vidas. Adso von Melk já na sua velhice narra os fatos ocorridos nestes dias passados no mosteiro.

O filme “O Nome da Rosa” (1986) dirigido por Jean-Jacques, baseado no livro homônimo de Umberto Eco nos permite transitar por diversos temas e fases da história, nos leva inclusive aos fatores que levaram ao surgimento da Reforma do século XVI. Leva-nos a transitar pela filosofia antiga, medieval e antever a moderna além de averiguar o poder da igreja durante a idade média e a sua forte opressão, um ambiente no qual as contradições e oposições, justificam as ações humanas. Coloca frente a frente à questão do Bem e do Mal. Além do que, a trama policial criada por Umberto Eco dá sustentação para um grande filme de suspense.

Resenha feita pro curso de Psicologia (1º periodo); sempre que me ocorrer postarei temas ligados a psicologia neste blog. 

“Roquenrou”

A frase chega a soar clichê, verdade seja dita, é tão recorrente que já serviu de título para musica, além de virar piada; “o rock está morto.” Não, eu não acredito que morreu ou está morrendo. Talvez os fãs do gênero estejam doentinhos, quase na UTI. Antes de continuar esse texto, eu quero deixar claro que me refiro a “rock” englobando todos os seus gêneros e subgêneros.

“Sexo, drogas e rock n’roll” é deveras umas das melhores expressões sobre esse publico e eu não falo sobre festas regadas a cocaína numa grande orgia. Eu falo sobre atitude, transgressão. O rock em essência é uma busca de liberdade sem restrições ideológicas, sem gente chata dizendo o que cada um deve fazer, como deve se comportar em determinadas situações e entregando a cada um o manual do politicamente correto (ou incorreto). Aliás, nos deram algumas palavras: sociedade, vida, trabalho, prazer, ócio. Vestiram-nas sobre nós e sobre nosso corpo e, sempre, sempre, sempre nos dizem: elas são suas! A arte em contra partida com seus vários movimentos diz: não! Em geral a arte não é um meio para se conseguir algo, é um fim em si mesma. O artista é livre para se expressar da forma que quiser e é dessa liberdade que se tem o conhecido “espírito” do rock.

O cenário que vejo hoje é o oposto disso, os fãs de um gênero tão aberto e expressivo tem se tornado cada mais vez mais chatos e cagadores de regras (eu não falo sobre todos, óbvio). Posts como “10 atitudes que definem se você é poser” ou comentários como “banda lixo”, “som de gay” fazem do conservadorismo uma praga, quer dizer, se eu disser que não sou poser eu viro um poser por estar me auto rotulando? E mais, se eu não gostar das bandas ditas clássicas ou por ouvir sons novos eu me torno uma “depreciadora” do gênero? (Claro, não devo negar que existem pessoas que fingem ou tentam gostar de determinado gênero só para impressionar ou chamar atenção e acabam passando vergonha).

Esse conjunto de fãs estão estagnados no tempo e acham tudo o que foi produzido depois dos anos 2000 não presta. Algum maluco da historia um dia disse: Eu sou o caminho, e a verdade e a luz – ou qualquer outra coisa parecida – pois bem, existem sim bandas que tem um peso na historia, pois através delas, o rock como movimento cultural se desenvolveu e permaneceu. E como a luz, vos digo: existe sim coisa muito boa sendo produzida. E não, você não vai achar isso no Multishow ou nas Rádios da sua cidade, isto é, o “mercado musical” e as “bandas comerciais” sempre estiveram aí e isso não impede ninguém de procurar o que é produzido pelo mundo e tem uma qualidade altíssima, afinal nem tudo o que está no top da Billboard é bom.

Uma juventude que quer ser prisioneira de si mesma não precisa de ideologia, nem liberdade ou de rock. Ela só precisa deixar de ser tão idiota. Provavelmente, tem alguém na sua cidade fazendo um som foda, e você não dá a mínima por não ser das gringas 7/80’s. Por isso tenho dito que o rock não está desaparecendo, nós estamos procurando no lugar errado.

06:50

Mais uma noite mal dormida, olheiras maiores que o próprio rosto. Aquela sensação de que a vida lá fora não vai dar nenhuma trégua. O sol é o de sempre, mesmo que ainda tímido. O banco da praça é o mesmo. Até o mendigo (devidamente esculhambado por nós) estendido sobre o banco devidamente abroquelado pela melhor sombra da cedro rosa é o de sempre. Essa impressão de continuidade, tantas coisas que fazem parte desse dia imenso. O vento sopra forte e Ceremony toca em meus ouvidos.

– Fogo?

– Não eu não tenho fogo, amigo. Se o tivesse é claro que acenderia com prazer o seu cigarro (como acenderia com prazer qualquer cigarro de qualquer outra pessoa). Mas não tenho.

– Tempo?

– Só a sensação de perdê-lo gradualmente. Mas não sei quando fiz disso algo tão importante, quer dizer, tudo uma hora tem de acabar. Estou certo? Sim, devo estar. Tenho de me conformar, afinal. Não sei se ganho ou perco sobre esse espaço de tempo nomeado vida, mas me entrego aos erros e me esqueço do zelo de quem navega em alto mar. Ah, sobre o tempo?! Vivo do tempo. Ou finjo que sim. Sobrevivo. O que sabe você sobre o tempo?

– Só tenho interesse sobre quantas horas. Já passa de sete?

– 07:01

(des)Graça. Eu nunca gostei de usar relógios.

Um desafogo sobre babaquice!

Definitivamente, todos os “ismos” me irritam, aliás, o que me irrita são as pessoas que insistem em enxergar só o que lhes convém e fazem disso uma bíblia incontestável, irrefutável, onipresente e onisciente. Eu não sei exatamente quando os “ismos” começaram a fazer sucesso nesta interwebs e sei menos ainda quando foi que ser ignorante passou a ser algo bonito, mas de todas as fases ou modas, essa é mais demorada.

A questão não é discutir se o que você acredita está certo ou errado. Fato é que para poder escrever um texto de dez linhas pra um blog que menos de duzentas pessoas tem acesso eu abro muitas abas no meu navegador. Faço isso exatamente porque eu não sou um hipopótamo míope e sem pernas que lê um tweet com menos de 140 caracteres e toma isso como verdade universal. É necessário menos de cinco minutos para procurar as mais diversas vertentes sobre o mesmo assunto.

O que eu chamo de opinião burra aqui não é o que vem contra as minhas “verdades”, o que chamo de opinião burra aqui são quilos e quilos de alienação, covardia, intolerância, falta de ética, falta de informação básica – que é extremamente acessível no mundo dito “globalizado” e todo esse blá blá. E o que mais irrita é a necessidade do prazer mórbido de criar polemica. Isso é no mínimo, carência.

Além disso, modificar uma descrição de “x” assunto é transformar na opinião “x+y” faz parte do nicho de babaquice que eu vejo todos os dias – não só na internet, e continuo insistindo em me perguntar o pra quê e o porquê disto, mesmo sabendo das respostas, pois parecem que os níveis aumentam a cada dia.

Você não precisa estar sempre “certo” sobre tudo e todos, mas saber conversar e ouvir não faz mal. Também não faz mal pautar-se em respeito. Faz parte dos conselhos dos pais sobre ouvir mais e falar menos.Mas ainda existe a outra opção. Sim!, você tem todo e absoluto direito de ser idiota, mas ninguém (ou quase ninguém) liga se você isolar-se na sua bolha, isto é só sobre o direito de ser babaca. Possuo poucas e tênues “verdades”, às quais permitem a construção de pontes que ligam os meus “eus” encarcerados para fora desta janela denominada sociedade. Isso é o que absolutamente me faz distante de uma pessoa babaca (eu acho).

(texto de 2013, desabafo sobre discursos de ódio na internet; quando foi que a dignidade, respeito e integridade dos indivíduos viraram jogo do bicho?)