06:50

Mais uma noite mal dormida, olheiras maiores que o próprio rosto. Aquela sensação de que a vida lá fora não vai dar nenhuma trégua. O sol é o de sempre, mesmo que ainda tímido. O banco da praça é o mesmo. Até o mendigo (devidamente esculhambado por nós) estendido sobre o banco devidamente abroquelado pela melhor sombra da cedro rosa é o de sempre. Essa impressão de continuidade, tantas coisas que fazem parte desse dia imenso. O vento sopra forte e Ceremony toca em meus ouvidos.

– Fogo?

– Não eu não tenho fogo, amigo. Se o tivesse é claro que acenderia com prazer o seu cigarro (como acenderia com prazer qualquer cigarro de qualquer outra pessoa). Mas não tenho.

– Tempo?

– Só a sensação de perdê-lo gradualmente. Mas não sei quando fiz disso algo tão importante, quer dizer, tudo uma hora tem de acabar. Estou certo? Sim, devo estar. Tenho de me conformar, afinal. Não sei se ganho ou perco sobre esse espaço de tempo nomeado vida, mas me entrego aos erros e me esqueço do zelo de quem navega em alto mar. Ah, sobre o tempo?! Vivo do tempo. Ou finjo que sim. Sobrevivo. O que sabe você sobre o tempo?

– Só tenho interesse sobre quantas horas. Já passa de sete?

– 07:01

(des)Graça. Eu nunca gostei de usar relógios.

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